Geometria da Estranheza

A redundância cotidiana, a vivência de fatos que não se diferem — salvo pelo endereço, os adereços, pela cor e gênero — corroem o entusiasmo de viver.

Infeliz me deito.
Infeliz, me levanto.
Passo o dia infeliz —
não importa o quanto descanso.

Nos dias úteis,
sinto-me inútil;
toda interação é nula,
todo existir, fútil.

O saber pesa a alma,
conhecer gera ranço.
Vivendo em automático,
rolo os dados — sem espanto.

Dão nomes e sentidos à dor,
esboçam rascunhos da fraqueza.
Os que sofrem buscam sinceridade,
mas recusam o ônus da franqueza.

Preenchem as lacunas com ecos,
reverberam a radical estranheza.
Vetam o direito ao choro, ao murmúrio —
de um túmulo adiado, na incerteza.

por Júnio Liberato

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Respostas de 2

  1. Essa é uma verdade que tem na mente do ser humano. Conheço pessoas assim. Cada dia mostra fraquezas em sua vida. Nunca encontra sua paz. Achei lindo seu poema. Você me encanto com seus versos Júnior. Deus abençoe sempre sua vida! Abraços.

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