É caminho ao qual nunca se pisou
É terreno vasto, fértil, inexplorado
É palavra que não alcançou ouvidos
É filho que foi, sem pudor, abandonado.
É almejar o mel e encontrar o ferrão da abelha
É desejar a virtude e receber o desprezo
É cobiçar o amor e obter a indiferença
É ansiar pela faca sem sequer possuir o queijo.
Foi perfeito sonho que se desmanchou ao léu
Foi brando calor que se dissipou no vento
Foi pétala em viva cor desbotada pelo sol
Foi ideia abatida por ausência de argumento.
Foi peito aberto costurado às pressas
Foi sentimento nobre incompreendido
Foi tesouro incontável nunca escavado
Foi gênio transcendente sentenciado ao ostracismo.
Será sonho ou anedota?
Realidade ou balela?
Será novamente o pódio da sensatez
Ocupado pelo matusquela?
Será semente sem um solo
Será um solo sem nutriente
Será mar sem horizonte
Será soluto sem solvente.
E assim caminha a humanidade,
Como gado a caminho do matadouro;
E assim caminha a humanidade,
Trocando a pérola pelo ouro de tolo.
por Júnio Liberato