Isadora

Seu escultural semblante tão formoso
Apesar de se apresentar tão delicado
É incapaz de anular a força que carrega
De um ser feminino tão determinado
É o prefácio de inesquecível história
Cujos capítulos são a mim vetados.

Exala um perfume nunca antes sentido
Em flor alguma deste mundo silvestre
No jardim das emoções que coleciono
Um genuíno afeto em silêncio floresce
Pensei, enganado, por um longo minuto
Ser Isadora a resposta da minha prece.

O sorriso teu, de tão radiante que é
Feito o romper milagroso da aurora
Em conjunto com este olhar intenso
Duas místicas rosas que ali afloram
São um quadro pelo Mestre pintado
Na moldura deste rosto que os comporta.

Sinto arrepios quando se faz presente
E ao sorrir por descuido, sem pretensão
Grava em mim sentimentos profundos
Desejos segredados à luz da ilusão
Sigo quieto, enquanto crio memórias
Aspirações veladas que guardo em vão.

Há histórias impossíveis que se vivem a sós,
Criadas com ímpeto nos bastidores da alma;
Frases jamais ditas, interesses suprimidos
Pela realidade que se apresenta amarga.
Paixões efêmeras, contudo, sinceras;
Isadora é uma delas. Em breve, será arquivada.

por Júnio Liberato

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