Brevidades, rosquinhas, bolos, fatias
Junto ao cristalino açúcar da feira
Café fresco no bule, leite no jarro
Cheirinho intenso de pão com manteiga
Tenro é o aroma de amor pelo ar
Laranjas, mangas e maçãs na fruteira.
Lá fora, o orvalho a pingar e a esparsa neblina,
Coexistem suaves com o perfume matutino
A real calmaria de um mundo sem pressa
No canto dos pássaros a massagear os ouvidos
É o aviso de mais um belo milagre
Que pela chegada do sol se anuncia.
De volta cá dentro, o espetáculo é à parte
Você tão belíssima com a xícara em mãos
A contrastar com seu perolado esmalte
Enquanto lhe fixo profundamente nos olhos,
Olhar de quem se fascinou frente a um Portinari
Pois há momentos que valem toda uma vida
Outros, bem mais, uma inteira eternidade.
por Júnio Liberato