Serelepe a caminhar pelas ruas,
Noto de soslaio algo esquecido:
Eram antiquíssimos orelhões —
Quebrados, danificados, destruídos!
Meu Deus! As orelhas do orelhão,
Ensurdecidas, cheias de cera,
Viraram condomínio de aranhas,
Há um grande emaranhado de teias.
Já bem fora das redes persistem
Estáticos, como forma de protesto
Invisíveis aos olhos sequestrados e nus
Dos transeuntes em seus multiversos.
Pobres anciãos abandonados,
Pelas esquinas, praças e ruas —
Já não se ouve mais seu chamado,
Expostos ao todo, ao sol e a chuva,
Grandes são suas esbeltas orelhas,
Contudo, já não ouvem mais voz alguma.
E como posso não observar,
Este elemento do meio urbano,
Caído e condenado ao esquecimento,
Ao desuso e ao abandono?
Sinto falta dos tempos de outrora,
Do anseio na fila de um orelhão,
Enquanto se expectava o momento,
De realizar tão esperada ligação
Ligava-se antes em calor humano
Com os demais em conversação.
por Júnio Liberato
Respostas de 5
Que linda e melancólica homenagem a um elemento urbano em extinção!
“Os ouvidos da cabine telefônica” é uma verdadeira joia poética que nos força a parar e enxergar o que deixamos para trás. A imagem das cabines como “pobres anciãos abandonados” com “ouvidos ensurdecidos” é de uma força e sensibilidade impressionantes.
Você nos lembra, com grande profundidade, que o avanço tecnológico, às vezes, leva consigo não só um objeto, mas também uma forma de conexão humana genuína, aquela “calidez” que era compartilhada até mesmo enquanto esperávamos na fila.
Um poema excelente que ressoa profundamente na nostalgia. Parabéns, Júnio Liberato!
Obrigado pela atenção.
Maravilha amigo!
Mais um Grande poeta.
Parabéns.
Gratidão.
Grato pela visita ❤️