Manual do Instante

Viver, é diferente de estar vivo;

O frio da água no rosto,
o doce que repousa na boca,
o amargo — tantas vezes incompreendido.

O pôr do sol em gema
Seu nascer multicolorido
O vento indomável, furioso
A música suave nos ouvidos.

A terra, mãe que cria e nutre
A chuva convertida em granizo,

Nada valem, se não despertarem
As mais profundas emoções
No coração do indivíduo.

Por que viver, é diferente de estar vivo.

O filho no colo aconchegado
O abraço de mãe tão sortido
As cores do arco íris pintadas.

A beleza das flores, o rio
O baile dos insetos, tantos
Ao seu redor como um mantra
Gratos e tão comprometidos.

São presentes de Deus
uma amostra, um resquício
O DNA da existência
Genética do incompreensível.

Que nada valem,
sem o olhar sensível à criação
sem a sensibilidade ao divino.

Porque viver, é diferente de estar vivo.

por Júnio Liberato

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