Peço que não te demores,
onde a espera te fatiga,
em que o alvo se desloca
e o horizonte não instiga.
Objetivos tão sonhados,
planos a dedo descritos,
momentos breves, ansiados,
poemas doces e sorrisos.
Apenas mero especulato,
possibilidades imprecisas,
em que nada é pragmático,
sem leis reais ou físicas.
O interesse perde a cor,
a ânsia renuncia ao perfume,
o esperar abdica a textura,
a intensidade, o seu volume.
Não te demores neste lugar.
Ali — onde tudo é rio, não mar:
sem profundidade,
sem mistério,
sem abismo,
sem largueza,
sem amplitude.
— Júnio Liberato