Gabriela

Ainda há resquícios de seu perfume
Embrenhados em minha densa barba,
Ainda existem longos fios de cabelo
Gotas de suor, digitais marcadas
Deixadas junto a seu cheiro
No meu corpo que abraçavas.

Ainda restam memórias vivas
Em meus neurônios impressas
Persistem os sonhos ousados
Atração. Desejos, promessas
Que não se cumpriram somente
Por fúteis e amargas controvérsias.

Por segundos, talvez milésimos
Planos audaciosos foram tramados
A possibilidade de um amanhecer,
Luas e beijos que nunca foram dados
E assim, mais um degrau na escada
A duras penas fora adicionado.

Sua pele foi um mapa perdido
Que como náufrago, não encontrei
Seus lábios, dois belos morangos
Que por um contratempo não degustei
E seu corpo, em curvas, um porto
Que como inexperiente marujo, não atraquei.

por Júnio Liberato

Compartilhe esse post:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Um poema emocionante sobre a vida no campo, o orgulho das raízes, o amor pelos animais, a família e as verdadeiras riquezas do interior.
Há histórias impossíveis que se vivem a sós, no silêncio de nossas mentes, sem que hajam meios de ganhar cor, vida e liberdade.
Meta descrição: Em um delicado diálogo entre um homem e um canarinho, este poema celebra a amizade, o poder da música e a esperança de um amor verdadeiro capaz de vencer a solidão.