Abnegado Eu

Não feito uma mera comparação
Figura tão ilustre de linguagem
Sinto a espessura do tempo
Como deliciosa fatia de brevidade,
Cujo volume, sendo satisfatório,
Derrete na boca feito miragem.

Tal como o pobre patinho feio,
Desconhecia ser um nobre cisne
Há momentos de clara incerteza
Feito bastidores de um crime,
Em que a vida, ardil, vez ou outra
Nos impõe sem pena esse regime.

Assim como o herético São Tomé
Não pôde crer sem ter certeza
Vira e mexe, bem frustrado
Envolto em vestes de tristeza
Sinto as mãos da vida enrugadas,
Despindo-me sem auxílio da sutileza.

por Júnio Liberato

Compartilhe esse post:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Um poema emocionante sobre a vida no campo, o orgulho das raízes, o amor pelos animais, a família e as verdadeiras riquezas do interior.
Há histórias impossíveis que se vivem a sós, no silêncio de nossas mentes, sem que hajam meios de ganhar cor, vida e liberdade.
Meta descrição: Em um delicado diálogo entre um homem e um canarinho, este poema celebra a amizade, o poder da música e a esperança de um amor verdadeiro capaz de vencer a solidão.