Para Não Sangrar Sobre As Joias

Decidido a romper a mesmice de cada manhã
Necessito um incentivo vindo de minha parte
Já que o primeiro passo para a libertação
Deve ser sempre o meu.

Para que eu não sangre por sobre as joias
Costumo sempre costurar em carne viva
Aquelas lesões que foram abertas em mim
Pelos dentes afiados de uma perigosa víbora.

Sinto exatamente a mesmíssima dor
De um alguém que sofre um castigo
Sem que houvesse razão aparente
E sinto esta mesma indignação
Luto para sofrer sem perder o juízo.

Para que eu não venha sangrar sobre as joias
Estanco com retalhos de lenços vermelhos
Os buracos deixados por cada lembrança
Tendo o rombo maior aberto em meu peito.

Para não sangrar sobre as joias
É necessário compreender que na vida
Raros serão os amores sinceros
O restante, não irá passar de mera bijuteria.

por Júnio Liberato

Compartilhe esse post:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Um poema emocionante sobre a vida no campo, o orgulho das raízes, o amor pelos animais, a família e as verdadeiras riquezas do interior.
Há histórias impossíveis que se vivem a sós, no silêncio de nossas mentes, sem que hajam meios de ganhar cor, vida e liberdade.
Meta descrição: Em um delicado diálogo entre um homem e um canarinho, este poema celebra a amizade, o poder da música e a esperança de um amor verdadeiro capaz de vencer a solidão.